A Cultura do Tocantins
O Tocantins revela-se rico em manifestações culturais graças à grande miscigenação de culturas, vinda de todos os estados brasileiros. Festas como a do Senhor do Bonfim (em Natividade e Araguacema) e as Cavalhadas (Taguatinga, no sul do Estado) preservam o legado cultural de nosso povo.
A Folia de Reis
A Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o Menino-Deus. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é portuguesa e tinha um caráter de diversão, era a comemoração do nascimento de Cristo.
No Brasil, a Folia de Reis chega no século XVIII, com caráter mais religioso do que de diversão. No Tocantins, os foliões têm o alferes como responsável pela condução da bandeira, que sai pelo sertão "tirando a folia", ou seja, cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis, realizada sempre no dia 6 de janeiro.
A Folia de Reis, diferentemente do giro do Divino Espírito Santo, acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos e somente à noite. O compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos. A folia visita as famílias de amigos e parentes. Os foliões chegam à localidade e se apresentam tocando, cantando e dançando. A família recebe a bandeira, o anfitrião percorre com ela toda a casa, guardando-a em seguida, enquanto aos foliões são servidos bolos, biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite.
Ao se retirarem, o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida, repetindo o gesto da entrada. Quando o dia amanhece, os foliões retornam às suas casas para descansar e, ao anoitecer, retomam as andanças. Quando termina o roteiro da folia, realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. Neste momento reza-se o terço, com a presença dos foliões e dos convidados, em frente ao altar ornamentado com flores, toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. Em seguida, é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões.
A tradição é muito forte. Os mais velhos acreditam serem os Santos Reis os protetores contra a peste, a praga na lavoura e, principalmente
Caretas
OS MASCARADOS EM PORTUGAL
Há dados históricos a respeito de uma festa, ainda hoje realizada em Portugal, chamada entrudo, onde só participavam homens usando máscaras, os caretos. Acontecia no domingo gordo e na terça-feira de carnaval. Nestes dias de festa, os caretos só paravam para matar a sede ou para combinar novas investidas à praça central onde a população local e os forasteiros se juntavam para assistir ao ritual. Nesse período, o que prevalecia era a agitação e a indisciplina.
Na festa do entrudo, a máscara conferia todo poder aos membros do grupo. Eles saíam às ruas e ditavam as regras dos acontecimentos. Ninguém conseguia se opor à ira dos caretos. Apenas mulheres vestidas de homens, ou vice-versa, eram poupadas da investida dos caretos, que se lançavam de assalto às moças, encostando-se a elas, desenvolvendo uma dança erótica e fazendo embater os chocalhos, que trazem pendurados. No Tocantins, percebe-se que houve uma transposição do uso das máscaras para diversas festas, como o entrudo, a cavalhada, a festa de Nossa Senhora do Rosário, em Monte do Carmo, e a festa dos Caretas, em Lizarda e Angico.
Os mascarados, ou caretas como são chamados no Brasil, aparecem nessas festas com o intuito de definir as regras das manifestações. Pode ser como um ponto de partida para o início das festividades, como acontece nas cavalhadas e na festa de Nossa Senhora do Rosário; no entrudo em Arraias, definindo o ritmo da algazarra, ou na proteção da quinta em Lizarda.
O ENTRUDO
Existem várias explicações para a origem do carnaval. Uma dessas versões diz que o carnaval tem origem no mundo cristão medieval, quando tinha um período de festas profanas que se estendia desde o dia de Reis até a quarta-feira de cinzas, quando se iniciavam os jejuns da quaresma. Essa festa foi introduzida no Brasil pelos imigrantes das ilhas portuguesas de Madeira, Açores e Cabo Verde.
Arraias, no sul do Tocantins, ainda realiza esse folguedo carnavalesco que consiste em lançar uns nos outros água, farinha, tinta, etc.
O entrudo de Arraias fazia-se com laranjinhas de parafina, espécie de bolinhas feitas de cera de abelha, com um orifício para enchê-las de água perfumada e depois atirar de surpresa nas pessoas. Com o tempo esse costume foi sendo transformado: a água perfumada foi substituída pela água pura e, às vezes, gelada, passando a ser jogada em pessoas do sexo oposto, numa verdadeira guerra dos sexos. Grupos de foliões saem às ruas ao som das sanfonas e outros grupos acompanhados pela banda da polícia militar. Os foliões batem de porta em porta à procura de pessoas para serem molhadas, aumentando o cordão carnavalesco do entrudo.
A FESTA DOS CARETAS
Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro, papel ou cabaça, com o objetivo de provocar medo nas pessoas. Em Lizarda, participam da festa que acontece, tradicionalmente, durante a Semana Santa, na Sexta-Feira da Paixão.
Monta-se um cenário, um semicírculo com pés de bananeira, chamado pelos caretas de quinta atrativa, onde se coloca pedaços de cana de açúcar. Neste se desenrola um verdadeiro espetáculo teatral. Os caretas perseguem com pinholas, uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti, as pessoas que tentam invadir a quinta para roubar a cana. A proteção da cana pelos caretas pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. Na encenação, os caretas tentam impedir esse sofrimento.
Faz parte dos caretas personagens como a catita e a égua. Catita é um homem trajando roupas femininas, é a mulher dos caretas, vadia, que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação. Enquanto estes ficam envolvidos, os caretas chegam e açoitam os distraídos.
A égua usa a roupa de um bicho muito feio. Este personagem pega a caveira de um animal que já morreu há algum tempo, prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando se abre e fecha a boca do animal. Com isso ameaça morder as pernas dos espectadores, assustando-os.
Os caretas ficam observando quando morre um animal para escolher a caveira. A diversão e o medo estão presentes no decorrer de todo o evento. Isso aparece também quando alguém tenta roubar a cana. Só os bons corredores escapam. E continuam as tentativas de roubar a quinta e as surras de pinhola até a madrugada de Sábado da Aleluia.
Catira ou Sussia
Também conhecida como súcia ou suça, a sússia é dançada no folclore de Paranã, Santa Rosa do Tocantins, Monte do Carmo, Natividade, Conceição do Tocantins, Peixe, Tocantinópolis e outras cidades do interior tocantinense. A dança de origem africana, trazida pelos escravos, é caracterizada por músicas agitadas ao som de tambores e cuícas. Uma espécie de bailado em que homens e mulheres dançam em círculos.
A sússia era a diversão dos negros e realizava-se nas senzalas, em comemorações marcantes e também como lazer. É dançada na Festa do Divino e na Festa da Padroeira, Nossa Senhora da Natividade, em 8 de setembro.
Os movimentos são variados. No caso da jiquitaia – uma variação da dança - eles lembram a retirada de formigas conhecidas como jiquitaias, que invadem os corpos dos pares num bailado sensual, leve e ao mesmo tempo frenético, uma vez que apenas insinua o toque. A dança é a eterna busca da conquista do par.
A sússia na Folia do Divino é dançada ao som da viola, do pandeiro e do roncador, instrumento artesanal feito de tronco de árvore que tem a mesma marcação do surdo. Também é dançada ao som do tambor em outras manifestações populares, como na festa de Nossa Senhora do Rosário.
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