O Estado do Tocantins foi criado pela Constituição de 1988. Mas já vinha sendo sonhado desde o século XVII, quando seduzidos pelo canal de transporte que o rio Tocantins representava para o desenvolvimento do interior do Brasil, franceses liderados pelo fidalgo La Planque engajaram-se numa expedição pelas águas do Tocantins.
O sonho passou também pela disputa política, quando D. João VI cria a Comarca de São João das Duas Barras, inaugurada por Joaquim Theotônio Segurado em 1815, que mais tarde (1821) se tornaria chefe do governo provisório da Província de São João da Palma. Em 1873 e 1879, o Visconde de Taunay, como deputado por Goiás, batalha e cria a Província de Boa Vista do Tocantins e mais tarde estabelece a Província do Tocantins.
O brigadeiro Lysias Rodrigues também foi um dos primeiros a plantar essa semente, construindo aeroportos nas principais cidades do Norte goiano e criando a rota Belém-Tocantins. Nesta época, o processo seguia acelerado. Em 1940, Lysias elabora um anteprojeto constitucional e uma carta geográfica do Território Federativo do Tocantins. Motivados pela iniciativa de Lysias, políticos do norte de Goiás, em 10 de dezembro de 1943, assinam o Manifesto ao Povo do Vale do Tocantins, um documento levado ao presidente Getúlio Vargas propondo a criação do território tocantinense.
Foi na metade do século passado que os sentimentos de luta pela criação do novo Estado tornaram-se sonhos e desses sonhos o idealismo que deu força ao povo daquele norte goiano para lutar pela emancipação do Tocantins. Os estudantes criaram a Cenog - Casa do Estudante do Norte-Goiano, instituição bastante atuante no movimento. Neste capítulo vale lembrar o trabalho de José Maia Leite, o primeiro presidente da instituição, José Cardeal dos Santos, Edmar Gomes de Melo e Totó Cavalcanti, entre outros tantos que passaram a idéia da mente para o coração e lutaram pela criação do Tocantins.
Nesta época, o então deputado por Goiás, José Wilson Siqueira Campos, abraçou a idéia dos estudantes em 1971 e apresentou a proposta de divisão do Estado por três vezes na década de 70. Em 1981, contou com um apoio da criação da Conorte - Comissão de Estudos dos Problemas do Norte, com a atuação de Antônio Maia Leite e José Carlos Leitão.
Em 1985 o projeto esbarrou no veto do presidente José Sarney. Por causa da pressão popular, incluindo a greve de fome de Siqueira Campos e um plebiscito com mais de 100 mil assinaturas pedindo a criação do Estado, Sarney cria a Comissão de Redivisão Territorial.
Em 27 de julho de 1988, parlamentares aprovam a criação do Tocantins em segundo turno. Mas foi em 5 de outubro de 1988 que a Constituição Federal foi assinada constando o artigo 13 das Disposições Constitucionais Transitórias da nova Carta Magna, criando o Estado do Tocantins.
A Capital
Com a criação do Tocantins, era necessária uma Capital provisória até a aprovação da sede definitiva do Governo pela Assembléia Estadual Constituinte. A cidade escolhida foi Miracema do Tocantins, na região central. Já em novembro, foram realizadas as eleições para o Legislativo e o Executivo, sendo José Wilson Siqueira Campos eleito o primeiro governador do mais novo Estado da Federação, tendo como vice o juiz federal aposentado Darci Coelho.
A capital definitiva, Palmas, foi instalada em 1º de janeiro de 1990 à margem direita do rio Tocantins e com um plano diretor especialmente elaborado. Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário foram transferidos de Miracema para a nova Capital, que nascia em terras cercadas pela Serra do Carmo e em menos de dois anos já atraíra 30 mil pessoas vindas de todos os cantos do país em busca de oportunidades.
Os negócios tomaram vulto, especialmente no ramo imobiliário e de construção civil. Palmas, segundo estimativas do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística conta com uma população que ultrapassa 180 mil habitantes. É a cidade que mais cresce no país.
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