quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Especial Tocantins - Monumentos Históricos

Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade

A Igreja Matriz do município de Natividade, uma das mais antigas do Tocantins, é datada de 1759. Seus cultos são dedicados à devoção de Nossa Senhora da Natividade.

Natividade, termo referente a nascimento, ficou em Portugal reservado para indicar o nascimento da Virgem Maria. A igreja Católica celebra o nascimento de Jesus Cristo, desde o ano 33 da era cristã. Esta festa de Nossa Senhora teve origem no Oriente e passa a ser comemorada no Ocidente no século VII, quando o papa Sérgio I, de origem oriental, compõe uma ladainha para a festa e introduz a procissão no dia dedicado à santa. A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacionada à festa da Imaculada Conceição de Maria, celebrada em 8 de dezembro. Nove meses depois, comemora-se Nossa Senhora da Natividade. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação de Maria no ventre de Santa Ana. Os devotos acreditam que Maria, como mãe de Jesus, preservada do pecado original, merece ser cultuada.

Foi trazida pelos jesuítas para o norte da província de Goiás, em 1735, uma imagem de Nossa Senhora da Natividade. Foi a primeira a entrar nessa região, em embarcações pelo rio Tocantins, depois nos ombros dos escravos até o pé da serra onde se erguia o povoado denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade, Mãe de Deus. Essa imagem é a mesma, venerada, ainda hoje, na Igreja Matriz.

Com a criação do Estado, a população de Natividade junto com o clero tocantinense desenvolveu uma campanha para tornar Nossa Senhora da Natividade padroeira do Estado. Dom Celso Pereira de Almeida, bispo diocesano de Porto Nacional, enviou, em março de 1992, solicitação ao papa João Paulo II expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora, de vê-la consagrada padroeira do Estado.

A solicitação foi aceita pelo Vaticano em 29 de maio de 1992 e em 15 de agosto do mesmo ano dom Celso divulgou oficialmente durante a Romaria do Bonfim, em Natividade, Nossa Senhora da Natividade padroeira principal do Tocantins.

A festa a Nossa Senhora da Natividade, na igreja Matriz, é realizada de 30 de agosto a 8 de setembro, dia escolhido para ser dedicado em todo o Estado a homenagear Nossa Senhora da Natividade. No município de Natividade durante os festejos acontece o novenário. São montadas barracas onde se fazem leilões e celebra-se a missa solene no dia dedicado à santa.

A igreja Matriz apresenta arquitetura em estilo colonial. O altar é feito de madeira, com repinturas. O forro de tábua corrida no teto e no piso do altar foi colocado em 1997, possui luminárias modernas e ventiladores nas laterais. No altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Natividade, em madeira, com pintura policromada. Tem ainda dois sinos de 1858, uma pia batismal e no seu arquivo um Livro de Casamentos de 1872-1901.

Conforme relatos de moradores, havia altares nas paredes laterais do arco cruzeiro da igreja Matriz, conservados até a década de 1960, onde eram expostas as imagens sacras de Nossa Senhora do Rosário, São Gonçalo, São Sebastião, Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. O piso original em tijoleira foi substituído pelo ladrilho hidráulico (mosaico) que novamente foi trocado por cimento queimado de cor amarelada. O ladrilho foi reaproveitado na sacristia à direita do altar-mor.

A comunidade guarda ainda em suas memórias lendas sobre a igreja Matriz. Segundo os moradores uma serpente possui a cabeça na Lagoa Encantada e o rabo na igreja Matriz. Diz a lenda que enquanto existirem velhas rezadeiras em Natividade, aos sábados rezando o ofício de Nossa Senhora, não prevalecerá o poder da serpente e o povo de Natividade, do Bonfim e redondezas viverá em segurança.

Antiga cadeia pública, Paço Municipal e Casa da Cultura

A "Antiga Cadeia" tem característica secular. Foi construída no período da escravatura, para funcionar como cadeia pública.
O prédio é térreo com 18,50m de frente por 9,50m de fundo. Possui grossas paredes de pedra, contendo três janelas e uma porta de frente com espessas grades de ferro, inclusive de acesso às celas.

Originalmente, o prédio foi construído com dois cômodos, separando os presos em celas masculina e feminina. As reformas foram feitas entre 1948 e 1949 no governo de Júlio Nunes da Silva. Esse prédio funcionou como cadeia pública até 1995, e em 1996 passou por um processo de restauração e adequação para abrigar o Museu Público Municipal.

PAÇO MUNICIPAL - ANTIGA PREFEITURA

Localiza-se em anexo à Antiga Cadeia Pública, na Praça Leopoldo de Bulhões. O prédio foi construído no período entre 1930 e 1938, na administração do intendente João Rodrigues de Cerqueira. Inicialmente, tinha cinco janelas na parte da frente e cinco que ficavam em direção ao norte. O piso original era de cerâmica de barro (ladrilho).

Conforme relatos orais, o mobiliário contava com mesas de madeira quatro quinas e cadeiras também de madeira. A única modificação ocorrida no prédio foi por volta de 1966/1967, quando as janelas de madeira foram trocadas por vitrôs.

O prédio sempre funcionou como espaço administrativo: Prefeitura, Câmara Municipal, agência de estatística - hoje IBGE -, arquivo municipal e sede da banda de música municipal. Hoje o prédio abriga a Polícia Militar.

CASA DE CULTURA AMÁLIA HERMANO TEIXEIRA

Situada à rua Coronel Deocleciano Nunes, esquina com a Praça São Benedito, a casa de 410 m2 pertenceu ao major Benício Nunes da Silva e sua esposa Benvinda Benedito Borges. Moradores dizem que major Benício faleceu em 1906. Trinta dias depois, dona Benvinda também morreu.

Não se sabe ao certo a data da construção do prédio, mas segundo moradores mais antigos, ele foi construído no final do século XIX. Após a morte do casal, a casa ficou para os filhos, mas os relatos orais não afirmam se eles habitaram o imóvel.

Por volta de 1920, o casarão serviu de sede para a Companhia de Polícia, que veio para a cidade por intermédio do coronel Deocleciano Nunes, filho do casal falecido, com o objetivo de defender a cidade dos jagunços saqueadores que rondavam a região. Até 1954, funcionou no prédio o Grupo Escolar D. Pedro II.

O prédio de adobe, coberto de telha comum, teto de madeira serrada, piso de cerâmica, paredes rebocadas e pintadas, sofreu modificações no madeiramento, no piso, no reboco e na pintura. O imóvel contém dez compartimentos e hoje abriga a Casa da Cultura Amália Hermano Teixeira, onde funciona a Biblioteca Pública Municipal e uma loja de artesanato da Prefeitura.

Igreja de São Benedito

Das três igrejas existentes em Natividade, a de São Benedito é a menor em estrutura física, mas isso não a faz menos importante que as outras. A igreja possui estilo jesuítico. Acredita-se que foi construída pelos escravos e possivelmente pela irmandade de São Benedito, mas ainda não foi encontrado nenhum documento oficial que comprove a existência dessa irmandade em Natividade.

É possível que a Igreja de São Benedito tenha sido construída ainda nas primeiras décadas do século XVIII, época em que Natividade vivia a opulência do ouro. O período histórico e a devoção ao santo fazem-nos acreditar que a igreja tenha sido construída e freqüentada pelos negros que vieram para região para trabalhar nas minas de ouro.

Segundo relatos orais, a igreja funcionou normalmente até l928, quando foi desativada, voltando a ser utilizada com mais freqüência em 2000. De 1984 (data da primeira restauração) a abril de 2000, a igreja era utilizada apenas nas datas festivas em que se incluía procissão em evento realizado na igreja matriz. De acordo esses relatos, no período em que esteve desativada, a igreja passou por um processo de abandono por parte das autoridades civis e religiosas, perdeu parte do telhado e do reboco. Nesse período foi roubada a imagem original, mas não se sabe precisamente o ano.

Na década de 1970, autoridades se mobilizaram junto ao Governo do Estado de Goiás para o tombamento na esfera estadual de todas as igrejas de Natividade. Foi assim que se tornou possível a restauração da Igreja São Benedito, em 1984 pelo Iphan/Pró Memória. Nos anos de 1994 e 1999/2000, o Ministério da Cultura realizou obras e serviços de manutenção no edifício.

A igreja possui fachada simples com um óculo e porta principal ladeada por duas janelas. Consta de pequena nave, arco cruzeiro, capela mor ladeada por sacristia e consistório, além de um cômodo de acesso ao púlpito, torre e coro. O retábulo do altar mor apresenta técnica simples de carpintaria e pinturas em policromia com elementos decorativos (figuras antropomórficas e dosséis) que se enquadram dentro do estilo joanino. As paredes laterais da capela mor e o fundo do camarim possuem pinturas decorativas aplicadas sobre a pintura a cal, apresentando os seguintes elementos: sobreverga com arremate em conchas nas extremidades, compoteira com flores, buquês, cortinados e colunas lisas. O arco do cruzeiro também apresenta pintura decorativa com repetição de elementos.

A nova imagem de São Benedito foi fruto dos esforços da comunidade local liderada pelo casal Maximiano e Amália Hermano. A imagem foi esculpida, pintada e decorada por dois artesãos goianos. Depois de adquirida foi entronizada pelo padre Joatan Bispo de Macedo, em1984.

O santo que deu nome à obra nasceu na Sicília, Itália, em 1526. Amado de Norte a Sul do Brasil, São Benedito morreu em 4 de abril de 1589 em Palermo, na Itália. O culto a São Benedito, um dos mais populares do país, é associado aos padecimentos do negro brasileiro. Em Natividade, o dia de São Benedito é comemorado em 20 de novembro.

Praças da Bandeira e Leopoldo Bulhões

PRAÇA DA BANDEIRA

Os relatos de história oral afirmam que a área onde hoje está edificada a Praça da Bandeira era conhecida como Praça do Pelourinho.

Com a retirada do pelourinho, o largo defronte às casas permaneceu por algum tempo sem nenhuma infra-estrutura. Só veio a sofrer intervenção no período de 1970 a 1972, recebendo a denominação de Praça da Bandeira. Em volta da praça há quatro casas que conservaram suas antigas fachadas, o prédio da Câmara Municipal, local onde funcionou o primeiro mercado municipal, e os correios.

A praça possui passarelas em cimento queimado e bancos de concreto sem encostos. Está arborizada com duas amendoeiras e uma palmeira imperial. Funcionam na praça duas barracas de ambulantes que comercializam confecções.

PRAÇA LEOPOLDO DE BULHÕES

Recebeu esse nome em homenagem a Leopoldo de Bulhões, antigo governador de Goiás. Antes se chamava Praça do Conselho - devido ao Conselho Municipal que funcionava no prédio do Paço Municipal em frente à praça. No local não tinha nada construído, havia apenas árvores (juazeiros, mangueiras, amendoeiras, fruta-pão, etc), que eram cercadas de pedra canga com massa a cal. As árvores foram retiradas na década de 1950.

A parte da estrutura da atual praça foi construída em 1980, na administração de Izambert Camelo Rocha. Nesse período foram plantadas diversas espécies de palmeiras, algumas vindas de São Paulo. A praça hoje é constituída de bancos de concreto com encosto, calçamento de concreto, duas fontes luminosas, um monumento das bateias (em homenagem ao ouro que deu origem à cidade), monumento à TV Anhanguera e à instalação da água.

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

O que seria o templo dedicado à devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos chama a atenção pela sua opulência, grandiosidade e beleza, todo erguido em pedra. Sob a atual denominação de ruínas, sua dimensão pode ser observada pelo que restou das paredes laterais, do arco da entrada feito em pedras e tijolinhos e também pelos alicerces em pedra canga, embora grande extensão dessas tenham sido retiradas para abertura da avenida defronte à igreja.

As ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário, conservada ao longo dos séculos, sofreu um processo de intervenção em 1992, através do Iphan/Pro-Memória, e o arco foi restaurado evitando um possível desabamento. Em 1996, sob a gerência do Iphan, foi realizado outro trabalho de restauração em toda a extensão da ruína e um projeto urbanístico para o seu entorno, quando recebeu uma iluminação especial.

Segundo relatos de viajantes, esse templo começou a ser construído pelos escravos no século XVIII. Da obra ficou concluída a capela-mor, o arco da entrada principal e suas laterais o que pode ser observado através do desenho de William John Burchell que percorreu o Brasil entre 1825 e 1829.

A devoção a Nossa Senhora do Rosário teve origem em Portugal. Desde os séculos XV e XVI era sob a invocação dessa santa que se congregavam os negros. As razões da escolha de Nossa Senhora do Rosário como protetora dos negros não são muito claras, mas sua popularidade fez criar em quase todas as cidades portuguesas igrejas onde havia imagens da virgem a quem se atribuíam milagres.

Frei Agostinho de Santa Maria acreditava que através da imagem de Nossa Senhora resgatada em Argel foi dado início ao culto, levando os negros a escolherem essa invocação. No Brasil, a celebração a Nossa Senhora do Rosário está quase que restrita às irmandades negras. Em Natividade, há relatos sobre uma irmandade do Rosário, mas não foi possível comprovar este fato historicamente.

Alguns afirmam que à medida que os negros iam construindo o seu templo, ofereciam presentes aos seus deuses e divindades, colocando em suas paredes ou enterrando em seu interior ouro em peça ou em pó, armazenados em garrafas ou potes de cerâmica. As conseqüências dessas informações passadas de geração em geração podem ser observadas nas paredes das ruínas com vários furos, resultado de ações de pessoas que, dizendo sonhar onde estava o ouro, perfuravam as ruínas.

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